quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Uma cidadezinha...

       Uma cidadezinha no interior do mundo. Onde as montanhas são cobertas pela neve, o olhar desesperado da moça, já não são exaltados. O frio dos pulmões se sobressai a qualquer agonia. Ela já conhecerá diversas cidades, fugia do mundo como o destino fugia do seu encontro. Resolveu então ficar ali, onde não haveria perguntas, nem cretinices.
       Não possuía muitas riquezas, mas tinha a alma cheia. Seu vizinho um senhor já de idade avançada, a chamava de luar. Ele sempre dizia que seus olhos iluminavam as noites, outro dia foi só escuridão. Passou semanas, depois meses e por ali foi ficando, ate cochichavam de onde será que vem a moça. Não sorri muito, mas a educação é de primeiro mundo. Porém a indagação ficava só na imaginação, ela cuidava de um abrigo para animais, comia seu café da manha de “cara feia”, mas deixava uma boa gorjeta.
        Uma conhecida que dará uns bons dias achava a moça um penar só, foi dizendo em uma tarde, eu tenho um conhecido do primo do meu afilhado, que esta recém-separada bonito de dar dó. Luar escutava a prosa como se de fato tivesse interesse, mas foi logo agradecendo, pois no coração só tinha espaço pra solidão, e foi dando adeus.
       Antes faria as malas e partiria a mera saudade do amor, as lagrimas voltavam ao seu pranto, e o destino reaparecia. Por aqui se sentia diferente, a solidão lhe fazia companhia, nos finais de tarde contemplando o agora, não conseguia pensar no passado, vez ou outra ligava pra casa, “alô mãe”, sem cordialidade.
        Ela era assim, um luar que toca o mar e influencia mares. Nunca foi de meninices, de colocar flores no cabelo. Mas tinha um lado toda mulher, era loba, tempestiva, ousada e tristonha. E nem todo mundo que a de consegui com seus barcos navegar em suas tempestades e sobreviver até chegar ao cais.


                        Tauana Raio De Luar
                        #tauanaraiodeluar