sexta-feira, 27 de junho de 2014

Amor cigano..


           Nessa dança de ciganos, um era a voz outro o batuque. Ela girava e girava, cantarolava batendo o pé em meio ao chão barroso. Ele dedilhava seus dedos na viola, encantando os ouvidos admiradores. Jogou a moeda da sorte para o alto. Cara ou coroa, sim e não, era o destino quem nós diz, e no chão a moeda se fora. Parou a dança, a euforia, os falatórios, e com elegância a moça foi a traz do tão perigoso saber.
        Deu sim, ou cara depende de como vós encara a vida, mas ela disse não. Ele sem saber acreditando na certeza da voz que diz, puxou uma nova canção. Mas dessa vez ela não dançou, não sorriu, e como quem já sabia a resposta, pois nas cartas já tinha visto o destino tortuoso do moço, foi decidindo deixar o rapaz sorrir e seguir a vida, até o dia em que o destino lhe roubasse o tempo e sorrateiramente levasse suas canções.
        Ela sabia, caso ele soubesse a resposta, já não viveria e seu peito arderia como se fosse para o inverno, na ânsia do que o destino lhe reserva. Uma escolha difícil da cigana, como quem manipula os dias, resolvendo guardar o segredo dentro de si. Talvez ele descubra antes do tal dia atenuar, pois ele tinha o dom da visão, mas entre ver-lhe sorrir ou deixar o pranto entristecer, foi escolhendo ela morrer aos poucos do que velo padecer.


                        Tauana Raio De Luar
                        #tauanaraiodeluar